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"Missão de honra": O plano da oposição para voltar com a dosimetria

O veto integral de Lula unificou a oposição, que trata a derrubada como prioridade absoluta. A articulação envolve partidos de direita e Centrão para impor ao Planalto uma derrota simbólica logo no início do ano legislativo
  • Categoria: Geral
  • Publicação: 11/01/2026 12:12

A oposição ao governo Lula transformou o veto integral ao projeto de lei da Dosimetria em seu principal instrumento de pressão política para a retomada dos trabalhos do Congresso.

Nos corredores da Câmara e do Senado, o clima é de mobilização permanente.

Líderes de partidos como PL, Republicanos e setores do Centrão já tratam a derrubada do veto como uma "missão de honra" para marcar o início do ano legislativo e impor uma derrota simbólica ao Planalto.

Segundo parlamentares que participam das conversas reservadas, a reação não foi improvisada.

Desde dezembro, quando o Palácio do Planalto deixou claro que barraria o texto, dirigentes da oposição passaram a mapear votos e a alinhar discursos.

"A gente já sabia que Lula ia vetar.

Isso foi conversado dentro das bancadas ainda antes do recesso.

A ordem agora é pressionar para votar o quanto antes e derrubar tudo", afirmou um deputado do PL envolvido diretamente nas articulações.

Nos bastidores, a avaliação é de que o governo escolheu deliberadamente elevar a tensão com o Congresso ao vetar um projeto que teve amplo apoio parlamentar.

Para lideranças oposicionistas, o Planalto desconsiderou acordos políticos e ignorou a correlação de forças no Legislativo.

"O recado foi claro: o governo não quer dividir poder, quer impor sua narrativa.

Isso vai custar caro", afirmou.

A estratégia traçada inclui não apenas a mobilização formal dos partidos, mas também um trabalho de convencimento individual de parlamentares do Centrão, especialmente aqueles que votaram a favor do projeto.

Líderes do PL têm conversado com deputados do PSD, União Brasil e PP para garantir que o placar que aprovou o texto seja repetido na sessão do veto.

O discurso usado nessas conversas é que a derrubada seria uma defesa da autonomia do Congresso frente ao Executivo.

Outro eixo da articulação envolve a comunicação.

A oposição pretende usar as redes sociais, pronunciamentos em plenário e entrevistas para sustentar a narrativa de que o veto representa perseguição política e impede a pacificação do país.

Integrantes do grupo afirmam que a ideia é manter o tema "vivo" durante todo o período pré-carnaval, para que o Planalto chegue à votação sob forte pressão pública.

Nesse ambiente, o deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP), relator do projeto, assumiu o papel de porta-voz da insatisfação parlamentar.

Em conversas reservadas, ele tem dito que o veto foi interpretado como um gesto de desprezo ao Legislativo.

Publicamente, classificou a decisão como uma reabertura de feridas institucionais e defendeu que o Congresso reafirme sua autoridade derrubando a decisão presidencial.

Articulação

O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), também atua como um dos articuladores centrais.

Ele tem repetido a aliados que o governo subestimou a capacidade de reação da oposição e que há votos suficientes para reverter o veto.

"Eles acham que controlam o Congresso.

Vamos mostrar que não", teria dito em reunião de bancada, segundo um deputado presente.

No Senado, o líder da oposição, Rogério Marinho (PL-RN), tem buscado unificar o discurso entre os senadores de direita e centro-direita.

A palavra de ordem é transformar o tema em um símbolo de resistência política.

Flávio Bolsonaro (PL-RJ) segue a mesma linha e já avisou que vai atuar pessoalmente para garantir quórum e votos favoráveis à derrubada do veto.

Para a oposição, o projeto da dosimetria é mais do que uma revisão técnica de penas: tornou-se um marco político.

O texto previa redução de punições e regras mais brandas de progressão de regime para condenados pelos atos de 8 de janeiro, algo que os parlamentares da direita tratam como correção de "excessos".

Manter o veto, na visão deles, significaria aceitar uma lógica de punição que consideram ideológica.

Mesmo cientes de que a sessão que analisará o veto deve ocorrer apenas após o carnaval, líderes oposicionistas veem o intervalo como decisivo.

A leitura interna é que, quanto mais tempo o governo tiver para organizar a base, mais difícil será a derrubada.

Por isso, a pressão por uma votação rápida se mistura a uma ofensiva política permanente contra o Planalto.

Nos bastidores, o clima é de confronto aberto.

Para esses parlamentares, a disputa em torno da dosimetria virou um teste de força entre o Congresso e Lula, e a oposição aposta que pode vencer.


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