Vorcaro teria bancado viagens para Ciro Nogueira, aponta PF
Proximidade entre as famílias voltou ao centro das atenções depois da nova etapa da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal (PF) na quinta-feira, que investiga supostas vantagens financeiras e patrimoniais ao parlamentar
- Categoria: Geral
- Publicação: 09/05/2026 04:03
O senador Ciro Nogueira (PP-PI) e a filha, Maria Eduarda Nogueira, viajaram para a França em 2024 e 2025 junto com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master, e da então namorada dele, a influenciadora Martha Graeff.
A proximidade entre as famílias voltou ao centro das atenções depois da nova etapa da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal (PF) na quinta-feira, que investiga supostas vantagens financeiras e patrimoniais ao parlamentar.
Imagens obtidas pelo Correio mostram Maria Eduarda que é influencer e conhecida nas redes sociais com Duda Nogueira Lazarte e Martha em registros de viagens e eventos privados, tratando-se publicamente como amigas.
A viagem à estação de esqui de Courchevel, nos Alpes franceses, antes de a PF apontar indícios de uma relação que, segundo os investigadores, extrapolaria os limites de amizade entre Vorcaro e o presidente nacional do Progressistas.
A operação apura repasses financeiros, aquisição de participação societária e benefícios concedidos ao senador e pessoas ligadas a ele.
Os registros dessa viagem foram publicados no Instagram pessoal de Martha.
Nas fotos, a ex-namorada de Vorcaro posta a seguinte legenda em inglês: "Nothing more delicious than sunny mountain days (numa tradução livre, "nada melhor do que dias ensolarados na montanha").
Mas essa não foi a única viagem que uniu as famílias Nogueira e Vorcaro.
Ciro esteve com a filha em Paris, meses antes, em mais uma estadia que teria sido toda bancada pelo dono do Master.
O senador também foi, em 2024, a Nova York, em outra viagem cujos custos saíram do bolso do ex-banqueiro.
A investigação também alcançou a empresa CNFL Empreendimentos Imobiliários, alvo de mandados da PF por ter recebido pagamentos de uma companhia vinculada ao dono do Master.
A empresa tem como sócios integrantes da família do senador, incluindo Maria Eduarda e outra filha, Iracema Nogueira, além da ex-mulher do senador, Eliane Nogueira.
O próprio Ciro e o irmão, Raimundo Nogueira, também aparecem no quadro societário.
Segundo dados da Junta Comercial do Piauí, Maria Eduarda e Eliane concentram a maior parte do patrimônio da empresa, com 47% de participação cada uma. Iracema tem 5%, enquanto Ciro detém 1% da sociedade.
A PF investiga se os pagamentos feitos à companhia teriam sido utilizados para ocultar vantagens indevidas ligadas ao suposto esquema envolvendo o Master.
Reação
Ciro divulgou ontem uma nota nas redes sociais em que reage à operação da PF. Segundo o parlamentar, há uma tentativa de "manchar" sua honra pessoal.
Ele atribui o episódio a perseguições políticas comuns em anos eleitorais.
"Todo ano político é a mesma coisa.
Tentam parar de todas as formas quem lidera as pesquisas de intenção de votos", escreveu o presidente nacional do PP.
O senador também relembrou as eleições de 2018, quando foi alvo de investigações às vésperas do pleito.
Segundo ele, o episódio teria provocado efeito contrário ao esperado pelos adversários políticos, impulsionando sua candidatura no Piauí.
Na nota, Ciro afirma que as acusações feitas contra ele no passado foram posteriormente arquivadas e usadas como exemplo de sua inocência.
"Na primeira tentativa de me parar, o devido processo legal apurou as ilações e mentiras contra mim e ficou comprovada a minha inocência", frisou.
O senador ainda questionou os impactos das denúncias sobre sua imagem pública e disse que ataques sem fundamentos deixam marcas irreparáveis.
O parlamentar também afirmou que continuará atuando politicamente no estado e que não pretende se afastar da vida pública diante das investigações.
"Nada me faz abandonar o povo que confia em mim", escreveu.
Na mensagem, Ciro disse ainda que os acontecimentos recentes lhe dão "mais energia" para continuar buscando recursos para o Piauí e combater o que chamou de tentativa de permitir que "os maus governem sobre os bons".
Ex-ministro da Casa Civil no governo Bolsonaro, o senador esteve cotado para assumir a vice na chapa encabeçada pelo filho 01 do ex-presidente, o também senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
O pré-candidadato, porém, vem afirmando a interlocutores que prefere ter uma mulher como companheira de chapa.
A senadora Tereza Cristina (PP-MS) e a deputada federal Simone Marquetto (PP-SP) são as mais cotadas.
Pelo menos um efeito da operação contra Ciro provocou mudanças súbitas de plano: a cerimônia que formalizaria apoio do PP à pré-candidatura do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), na segunda-feira, foi cancelada.
Não há, por ora, nova data.
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