Moraes vota para aceitar denúncia contra Eduardo Bolsonaro por coação à Justiça
Julgamento começou nesta sexta-feira (14/11), no plenário virtual do STF. Deputado licenciado que atualmente vive nos EUA é suspeito de atuar para atrapalhar a ação penal da trama golpista
- Categoria: Geral
- Publicação: 15/11/2025 06:24
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), votou, na manhã desta sexta-feira (14/11), para tornar o deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) réu por sua atuação em favor das sanções aplicadas pelos Estados Unidos contra as autoridades brasileiras.
O filho do ex-presidente foi denunciado em setembro pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por coação à Justiça.
O julgamento ocorre no plenário virtual da Primeira Turma da Corte.
Os ministros têm até 23h59 de 25 de novembro para votar.
A PGR afirma que Eduardo Bolsonaro e o blogueiro bolsonarista Paulo Figueiredo, neto do ex-ditador João Batista Figueiredo, atuaram para atrapalhar o andamento do processo da tentativa de golpe de Estado, que levou à condenação de Jair Bolsonaro a 27 anos e 3 meses de prisão.
Os ministros analisam apenas a aceitação ou rejeição da denúncia da Procuradoria.
Caso a acusação seja aceita, será aberta uma ação penal.
O julgamento do mérito do caso, com absolvição ou condenação, ocorrerá em seguida.
A denúncia contra Paulo Figueiredo foi desmembrada e será discutida em outro momento pela Primeira Turma.
Em março deste ano, o deputado Eduardo Bolsonaro anunciou que iria se licenciar temporariamente do mandato parlamentar para morar nos EUA.
Disse que o afastamento do país seria para "se dedicar integralmente e buscar as devidas sanções aos violadores de direitos humanos".
Ele é suspeito de estar no país norte-americano para articular retaliações contra o Brasil.
"Apresentaram-se como patrocinadores dessas sanções, como seus articuladores e como as únicas pessoas capazes de desativá-las.
Para a interrupção dos danos, objeto das ameaças, cobraram que não houvesse condenação criminal de Jair Bolsonaro na AP 2.668", aponta o procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Na denúncia, Eduardo não constituiu advogado.
O ministro Alexandre de Moraes ordenou que a Defensoria-Pública da União (DPU) fizesse a defesa do político.
Desde que foi para os EUA, o parlamentar passou a divulgar uma agenda de reuniões com integrantes do governo do presidente norte-americano Donald Trump. Em julho, o republicano decidiu sobretaxar os produtos brasileiros e acusar a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de “caça às bruxas” contra seu antecessor Jair Bolsonaro.
A Casa Branca também cancelou os vistos de ministros do Supremo e do PGR Paulo Gonet. https://youtu.be/6qoec5nXrbU?si=PsPEz01dkxSr_vco
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