Cunhado e ex-namorada de Vorcaro são convocados a depor
Expectativa é de que Fabiano Zettel e Martha Graeff esclareçam nomes e conexões do ex-banqueiro dono do Master. E colegiado manterá dados do ex-banqueiro em ambiente restrito
- Categoria: Geral
- Publicação: 13/03/2026 05:58
A CPMI do INSS aprovou, ontem, as convocações de Fabiano Zettel e de Martha Graeff, respectivamente cunhado e ex-namorada de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
O primeiro era operador de fundos ligados à instituição financeira e ela seria uma espécie de confidente do ex-banqueiro, conforme constatam diálogos de foro íntimo vazadas na semana passada e que receberam repúdio, inclusive, do ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF).
O colegiado pretende esclarecer como funcionava o esquema de crédito consignado a aposentados e pensionistas da Previdência que sofreram descontos irregulares, mas pode trazer para o plenário assuntos que não esteja diretamente ligados ao escopo da comissão.
Zettel é apontado pela Polícia Federal (PF) como operador financeiro de Vorcaro.
Ele foi preso na segunda fase da Operação Compliance Zero e deverá esclarecer, segundo o requerimento aprovado, possíveis vínculos entre negócios familiares, a Igreja Lagoinha onde era pastor e empreendimentos ligados ao esquema investigado.
Um desses negócios é o resort Tayayá, cuja propriedade era da Maridt Empreendimentos, que pertence ao ministro Dias Toffoli, do STF, e seis irmãos.
Um dos fundos administrados por Zettel comprou a participação da empresa do magistrado no empreendimento turístico, que fica no Paraná.
No caso de Martha Graeff, a expectativa dos parlamentares é de que ela ajude a identificar pessoas que frequentavam o círculo próximo do ex-banqueiro e esclarecer o contexto de encontros e conversas mencionados nas investigações.
Isso ficou nítido nos diálogos íntimos entre ela e Vorcaro, que vazaram na semana passada.
Mas a CPMI convocados, também, os ex-diretores do Master Ângelo Antônio Ribeiro da Silva e Luiz Antônio Bull.
Segundo os parlamentares autores dos pedidos, ambos poderão prestar esclarecimentos sobre a atuação da instituição financeira na concessão de empréstimos consignados e na estrutura de controle interno voltada à prevenção de fraudes.
Também serão chamados Marcos de Brito Campos Júnior, ex-superintendente do INSS no Nordeste; Lucineide dos Santos Oliveira, diretora da Associação dos Aposentados do Brasil (AAB); além de representantes de empresas e advogados citados nas investigações.
A maioria do colegiado, porém, rejeitou o pedido para ouvir a empresária Roberta Luchsinger, apontada por parlamentares da oposição como integrante do chamado "núcleo político" do esquema de fraudes contra beneficiários do INSS.
Ela é amiga de Fabio Luís Lula da Silva, o Lulinha, cuja quebra dos sigilos bancário e fiscal foram anulados pelo ministro Flávio Dino.
Mas, antes disso, soube-se que as empresas do primogênito do presidente Luiz Inácio Lula da Silva movimentaram R$ 19 milhões em quatro anos.
Roberta entrou na mira da CPMI por conta de uma diálogo mantido com Antônio Camilo Antunes, o "Careca do INSS", que seria o chefe do esquema criminoso. Na conversa, há a suspeita de que o "filho do rapaz", que seria beneficiado com uma mesada de R$ 300 mil, seria Lulinha.
A empresária jamais negou o vínculo de amizade com o filho mais velho do presidente.
Sala-cofre
Já o presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), anunciou ontem um conjunto de medidas para reforçar a segurança das informações reunidas pelo colegiado.
A decisão ocorre após relatos de vazamento de dados obtidos pela comissão nas últimas semanas um deles seriam os diálogos íntimos entre Vorcaro e Martha Graeff.
Ele assegurou que o material resultante da quebra de sigilo telefônico do ex-banqueiro será armazenado em uma "sala-cofre" no Senado, ambiente de acesso restrito e onde apenas os parlamentares integrantes da CPMI poderão consultar os dados.
Segundo Viana, o espaço foi preparado para garantir que o conteúdo sensível da investigação seja analisado sem risco de novos vazamentos.
O acesso ao local será feito sem celulares ou qualquer tipo de equipamento eletrônico.
"Diante dos vazamentos que aconteceram semana passada, e das acusações infundadas de que a CPMI teria vazado informações, determinamos que todo o material da quebra de sigilo do telefone do senhor Daniel Vorcaro fique em uma sala-cofre, onde só entram parlamentares e sem qualquer equipamento eletrônico.
É um arquivo muito grande.
Para se ter uma ideia, levamos quase sete horas para fazer o download de todo o material.
A partir de agora, ele ficará protegido e disponível apenas para os integrantes da comissão", garantiu.
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