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Mensagens indicam que Vorcaro teve acesso a investigações sigilosas do MPF

Meses antes de ser preso o ex-banqueiro já recebia informações sigilosas que tramitavam no Ministério Público Federal
  • Categoria: Geral
  • Publicação: 10/03/2026 17:13

O controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, teve acesso a procedimento sigilosos que tramitavam no Ministério Público Federal (MPF), cerca de quatro meses antes de ser alvo de uma ordem de prisão da Justiça Federal.

Os documentos tratavam de investigações sobre possíveis irregularidades na negociação envolvendo o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB).

Segundo a jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo, os arquivos foram enviados em 24 de julho de 2025 por Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, apontado como operador ligado ao banqueiro.

As mensagens, recuperadas do celular apreendido pela Polícia Federal (PF), continham três documentos em formato PDF relacionados a procedimentos que tramitavam sob sigilo na Procuradoria da República no Distrito Federal (PR/DF).

Esses arquivos estavam no celular que foi apreendido na primeira vez em que Vorcaro foi detido, tentando embarcar para Dubai, nos Emirados Árabes.

Dois dos documentos tratavam da operação entre o Master e o BRB.

Um terceiro procedimento analisava suspeitas de que um apartamento triplex de luxo avaliado em cerca de R$ 60 milhões, em São Paulo, teria sido utilizado como vantagem indevida no contexto da negociação com o banco estatal de Brasília.

As investigações também apontam que integrantes do grupo ligado ao banqueiro teriam buscado informações em sistemas restritos de órgãos públicos.

De acordo com a Polícia Federal, as consultas eram feitas a partir de palavras-chave relacionadas ao caso, como “Banco Master”, “Vorcaro” e “Nelson Tanure” empresário apontado pelos investigadores como sócio oculto do banco Master.

Na decisão que autorizou nova fase da operação "Compliance Zero", o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator do caso, afirmou que há indícios de acesso irregular a bases de dados protegidas.

Segundo ele, “as investigações também apontam que Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão realizava consultas e extrações de dados em sistemas restritos de órgãos públicos, incluindo bases de dados utilizadas por instituições de segurança pública e investigação policial”.

O magistrado também registrou que os acessos teriam sido feitos com o uso de credenciais funcionais de terceiros, o que permitiu a obtenção de informações protegidas por sigilo.

O Correio entrou em contato com o MPF, que disse que o processo tramita sob sigilo, o que o impede de dar mais detalhes sobre o assunto.

A MELHOR VEM https://share.google/OwwNwZDGhqfApeXVa