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Celso Amorim diz que Brasil deve "se preparar para o pior" em meio à escalada no Oriente Médio

Assessor especial de Lula alerta para risco de alastramento do conflito no Oriente Médio, defende cautela diplomática às vésperas de encontro com Donald Trump e afirma que escalada representa ameaça à paz
  • Categoria: Geral
  • Publicação: 02/03/2026 15:33

O assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Celso Amorim, afirmou nesta segunda-feira (2/3) que o Brasil deve se preparar para um possível agravamento do conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel, no Oriente Médio.

Segundo ele, o cenário atual é de forte tensão e pode evoluir para um quadro ainda mais instável na região.

“Ninguém é juiz do mundo.

Matar um líder de um país, que está em exercício, é condenável e inaceitável.

Devemos nos preparar para o pior", afirmou o embaixador em entrevista à GloboNews.

Ao detalhar o que considera “o pior”, Amorim apontou para o risco de ampliação do conflito para além dos atores diretamente envolvidos:

"O aumento vertiginoso das tensões no Oriente Médio, com grande potencial de alastramento".

"O Irã historicamente fornece armamento para grupos xiitas que estão em outros países, além de grupos radicais", argumentou.

O diplomata acrescentou que ainda conversaria hoje com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o tema. Segundo ele, os dois ainda não haviam discutido o assunto em profundidade. 

Há expectativa de que o líder petista viaje a Washington entre os dias 15 e 17 de março, mas a confirmação oficial ainda não ocorreu.

Na última sexta-feira (27/2), Trump declarou que “adoraria” receber o presidente brasileiro na capital norte-americana.

Amorim destacou a complexidade diplomática do momento, especialmente às vésperas de um encontro bilateral de alto nível

"Estamos a poucos dias do encontro do presidente com Trump, em Washington.

É sempre difícil encontrar o equilíbrio entre a verdade e a conveniência.

Não perder a capacidade de diálogo sem comprometer a credibilidade exige destreza", afirmou.

O governo brasileiro já manifestou solidariedade a países atingidos por ataques retaliatórios do Irã e defendeu a interrupção das ações militares na região do Golfo.

Em nota divulgada na noite de sábado (28), o Ministério das Relações Exteriores classificou a escalada como uma grave ameaça à paz.

Diplomata reforça que há expectativa de que o presidente Lula viaje a Washington entre os dias 15 e 17 de março - (crédito: Fábio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil)