Lula tenta barrar "onda da direita" no Senado em 2026
Presidente escala ministros e aliados estratégicos para barrar avanço da oposição em 2026; veja quem são os nomes cotados para as vagas em disputa
- Categoria: Geral
- Publicação: 11/01/2026 07:47
O Senado será o principal foco da base governista na disputa ao Congresso em 2026.
Ante uma movimentação intensa da oposição que larga em vantagem para obter maioria na Casa Alta, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e aliados apostam em nomes competitivos para tentar impedir que a direita consiga mais de 41 cadeiras no Senado, o que facilitaria a aprovação, por exemplo, de pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e a derrubada de decisões do petista.
Estarão em disputa 54 das 81 cadeiras, dois terços do total, e duas vagas por unidade da Federação.
Embora as articulações ainda estejam em andamento, sem candidaturas confirmadas, já circulam nomes que podem ser apoiados por Lula em boa parte dos estados.
A disputa ao Senado preocupa o Planalto, ao menos, desde o início do ano. Lula demonstrou isso em junho, ao participar de um congresso do PSB, em Brasília.
"Em 2026, precisamos eleger senadores da República.
Se esses caras (oposição) elegerem a maioria dos senadores, vão fazer uma muvuca nesse país", disse o presidente.
"Para o Brasil, tem que pensar onde a gente pode eleger, e pegar os melhores quadros.
E eleger senador, deputado, porque nós precisamos ganhar maioria no Senado.
Se não, vão avacalhar com a Suprema Corte", acrescentou.
A preocupação ocorre porque, das 27 vagas que não serão alteradas no Senado, que foram disputadas em 2022, 14 são ocupadas pela direita.
Dessa forma, para obter a maioria de 41 senadores, a oposição precisa conquistar 27 cadeiras em 2026.
Dessas 27, 11 são de senadores da direita que vão tentar a reeleição, com grandes chances de sucesso.
Portanto, as 16 restantes serão as disputas mais importantes.
Para aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro, o objetivo da disputa é criar condições para o impeachment de ministros do STF.
Isso ganhou força após o ministro Gilmar Mendes tentar limitar regras para esses pedidos, e o Senado protocolar uma proposta para rever a Lei do Impeachment, que pode acabar facilitando o impedimento de magistrados.
Para o governo, o cenário mais sólido está no Rio Grande do Sul, onde os pré-candidatos já lançados são o ex-ministro da Secretaria de Comunicação Social (Secom) e deputado federal Paulo Pimenta (PT), e a ex-deputada Manuela D'Ávila (PSol).
Eles devem disputar contra os deputados Marcel Van Hattem (Novo-RS), Ubiratan Sanderson (PL-RS) e o senador Luiz Carlos Heinze (PP-RS).
Em outros estados, porém, a definição ainda passa pelo estudo de viabilidade dos candidatos mais próximos ao governo, pelas disputas políticas regionais e alianças com outras legendas.
Em decisão de sua Executiva Nacional, o PT admite a possibilidade de acordos com siglas como MDB, PSD, PSB e PDT, caso não haja nomes próprios viáveis.
Em São Paulo, maior colégio eleitoral, o cenário é difuso.
Lula já expressou a preferência pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, como candidato a senador.
Também há possibilidade de uma candidatura do ministro ao governo paulista, caso o atual governador, Tarcísio de Freitas, tente alçar voo à Presidência da República.
Haddad, porém, resiste a concorrer e diz querer apenas integrar a campanha do presidente à reeleição.
Há a possibilidade também de que o vice-presidente Geraldo Alckmin concorra ou Senado ou ao governo de São Paulo.
Em conversa com jornalistas no início de dezembro, o presidente do PT, Edinho Silva, afirmou que a escolha depende apenas de Alckmin.
"Na minha opinião, não é posição do PT, o Alckmin será o que ele quiser ser.
Ele é, na minha avaliação, uma liderança nacional de primeira grandeza.
Se ele quiser continuar sendo vice-presidente, ele será.
Se quiser cumprir outra missão nas eleições de 2026, cumprirá", disse Edinho.
O PSB, por sua vez, aposta na manutenção de Alckmin no Planalto.
Também figura como possível candidata ao Senado a ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet.
A ex-senadora, eleita por Mato Grosso do Sul, estuda mudar o domicílio eleitoral, já que, em seu estado, conservador, perdeu popularidade ao integrar o governo Lula.
Em Minas Gerais, também um dos principais colégios eleitorais do país, o PT dá preferência à prefeita de Contagem, Marília Campos (PT).
Também é cotado o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), que se aproximou consideravelmente de Lula ao longo do mandato.
No Rio de Janeiro, são os principais nomes o ex-deputado federal Alessandro Molon (PSB) e a deputada federal Benedita da Silva (PT).
Nordeste essencial
Estados da região Nordeste concentram grande parte do foco do Planalto, já que 18 das 54 vagas em disputa estão lá principal reduto eleitoral de Lula.
Os estados concentram candidaturas de peso, seja com nomes do próprio governo, seja com alianças.
Na Bahia, por exemplo, devem ser candidatos o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), que busca a reeleição, e o ministro da Casa Civil, Rui Costa.
No Pará, estão no páreo o governador Helder Barbalho (MDB) e o ex-ministro do Turismo Celso Sabino, que atualmente está sem partido após expulsão pelo União Brasil, mas que conta com o apoio de Lula para concorrer.
Em Alagoas, o principal nome governista é o do senador Renan Calheiros (MDB-AL), aliado de Lula, que possivelmente disputará com seu rival, o deputado Arthur Lira (PP-AL), cotado como o nome da oposição.
No Maranhão, o ministro dos Esportes, André Fufuca, pretende disputar.
Já no Rio Grande do Norte, o nome preferido é o da atual governadora, Fátima Bezerra, do PT.
Em Sergipe, são esperadas as candidaturas do senador Rogério Carvalho (PT-SE) e do ex-ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Márcio Macêdo.
Para o professor de políticas públicas do Ibmec Brasília Eduardo Galvão, a disputa pelo Senado, assim como pela Câmara, passa, também, pela governabilidade de um eventual quarto mandato de Lula, que "só terá estabilidade se vier acompanhado de uma estratégia efetiva para formar maioria na Câmara e no Senado".
"Isso explica tanto o esforço do governo em reduzir a dependência do Centrão quanto a mobilização antecipada do campo bolsonarista para preservar a força legislativa.
No fim, a disputa de 2026 não será apenas pelo Planalto, mas pelo controle do tabuleiro legislativo, onde, de fato, se decide a capacidade real de governar", segundo ele.
Os nomes prováveis
Embora as disputas ainda estejam indefinidas, aliados do presidente Lula já desenham as chapas ao Senado para 2026, com objetivo de não deixar a oposição alcançar a maioria de 41 cadeiras na Casa Alta.
Veja alguns dos cotados:
Rio Grande do Sul
- Deputado federal Paulo Pimenta (PT)
- Ex-deputada federal Manuela D’Ávila (PSol)
- Santa Catarina
- Presidente do Sebrae, Décio Lima (PT)
Bahia
- Senador Jaques Wagner (PT)
- Ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT)
Pernambuco
- Senador Humberto Costa (PT)
Minas Gerais
- Prefeita de Contagem, Marília Campos (PT)
- Ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD)
São Paulo
- Vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB)
- Ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT)
- Ministra do Planejamento e Orçamento Simone Tebet (MDB)
Rio de Janeiro
- Ex-deputado federal Alessandro Molon (PSB)
- Deputada federal Benedita da Silva (PT)
Pará
- Governador Helder Barbalho (MDB)
- Ex-ministro do Turismo Celso Sabino (sem partido)
Paraná
- Ministra da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), Gleisi Hoffmann
Paraíba
- Governador João Azevêdo (PSB)
Alagoas
- Senador Renan Calheiros (MDB)
Ceará
- Deputado federal Júnior Mano (PSB)
Maranhão
- Ministro dos Esportes André Fufuca (PP)
Piauí
- Senador Marcelo Castro (MDB)
Rio Grande do Norte
- Governadora Fátima Bezerra (PT)
Distrito Federal
- Deputada federal Erika Kokay (PT)
Sergipe
- Ex-ministro da Secretaria-Geral da Presidência Márcio Macêdo (PT)
- Senador Rogério Carvalho (PT)
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